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Malformação como a do bebê sem rosto pode ser causada por remédio

Exames podem antecipar malformações fetais

Exames podem antecipar malformações fetais
Freepik/Imagem ilustrativa

O nascimento de um bebê sem os olhos, nariz e parte do crânio, que chocou Portugal, poderia ter sido previsto. 

Segundo o pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Academia Americana de Pediatria, malformações severas, como essa, podem ser detectadas até mesmo antes da 20ª semana de gestação, por meio de exame de ultrassom. 

O escândalo levou o país europeu a uma discussão sobre negligência médica, já que o obstetra que atendeu a gestante teria sido informado por ela sobre a suspeita de que havia algo errado, após a realização de um ultrassom. No entanto, a teria ignorado.

O recém-nascido em Portugal tinha expectativa de sobreviver apenas algumas horas, mas já chegou ao décimo dia. O médico também é investigado por ter sido negligente em outros casos semelhantes.

A indignação foi motivada, principalmente, pelo fato de naquele país ser permitido o aborto em casos como esse, desde que haja autorização de uma junta médica do hospital. No Brasil, por proibição legal, a gravidez teria que ser levada a termo.

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O que causa malformação?

Ejzenbaum afirma que a malformação de um feto pode ser por erro genético, uso de medicações durante a gestação ou da própria embriogênese (gênese do bebê).

“É quando a formação do feto não evolui da maneira esperada, seja por falta de vitaminas, de ácido fólico. A mielomeningocele [malformação congênita da coluna vertebral] é um exemplo de problema causado pela falta de ácido fólico”, diz.  

Outro fator que pode interferir na formação do feto é o uso de remédios na gravidez. “Algumas medicações podem causar malformação fetal. Há muitos anos, havia uma medicação chamada talidomida, que hoje tem seu uso proibido, que causava grandes malformações de membros. Isso é só um exemplo. Essa medicação já não é usada. Existem outras medicações que podem causar alterações e levar a malformações e isso altera a embriogênese”, explica. 

Segundo Ejzenbaum, a depender da malformação, os exames de imagem já deixam os médicos preparados para procedimentos que podem ser adotados, inclusive, após o parto.

Ele cita, por exemplo, casos de onfalocele, em que o bebê nasce com as alças intestinais para fora da barriga. “É gravíssimo, mas se você já sabe antes, já opera logo que nasce.”

Apesar da forte suspeita de uma negligência médica em Portugal, o neonatologista afirma ser fundamental que se faça o acompanhamento médico durante a gestação. Se houver dúvidas em relação a algo, não se deve hesitar em buscar uma segunda opinião.

“As mães precisam fazer um pré-natal corretamente, tomar todas as vitaminas, ir às consultas e fazer ultrassom.”