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Engravidar já estando grávida é possível. Entenda caso de influencer

A digital influencer Thaiana com as gêmeas Yris e Alice, logo após o nascimento

A digital influencer Thaiana com as gêmeas Yris e Alice, logo após o nascimento
Reprodução/ Instagram

A digital influencer Thaiana Zimermam Nunes, 24, teve uma surpresa ao fazer ultrassom quando estava grávida de sete semanas: “Me disseram que estava aparecendo outro saco gestacional nas imagens e eu teria que fazer um transvaginal”, contou em entrevista à revista Crescer. A jovem diz que engravidou pela segunda vez, com quase duas semanas de diferença entre as duas gestações.

Thaiana relata, ainda de acordo com a revista, que ficou internada, teve excesso de enjoos e vômitos e emagreceu 15 kg. Mas, em abril deste ano, Yris e Alice nasceram saudáveis e não precisaram ficar na UTI.

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O ginecologista e obstetra César Fernandes, presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) afirma que engravidar já estando grávida é possível. Trata-se da chamada superfetação, quando a mulher ovula novamente depois de já ter engravidado.

“Esse diagnóstico, embora muito difícil, pode ser feito com maior possibilidade de acerto no início da gravidez, quando existe a oportunidade de se constatar idades gestacionais diferentes entre os embriões”, explicou.

No caso de Thaiana, especificamente, ele diz não ser possível afirmar se as gêmeas são fruto de uma superfetação. “A semelhança das bebês é muito grande”, observou. 

De acordo com o ginecologista, a possibilidade de uma mulher engravidar sendo que já existe uma gestação em curso é raríssima. “Depois de algumas semanas de gestação, ela pode ter uma relação sexual e acontecer de um espermatozoide fecundar um segundo óvulo, mas haverá uma série de obstáculos para ele se desenvolver”, pondera.

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A situação pode ser descrita como “duas gestações completamente distintas ocorrendo ao mesmo tempo”, segundo Fernandes. Ele acrescenta que a possibilidade de uma mulher engravidar de novo já estando gestante só acontece até o segundo mês. “Depois disso, é mais impossível, ainda porque ela não ovula mais”, afirma.

O especialista destaca que, em uma gravidez convencional, o espermatozoide percorre um longo e difícil caminho até alcançar o óvulo: ele entra pelo fundo da vagina, passa pela cavidade do útero e só vai encontrar o óvulo na extremidade da trompa. Esse processo é facilitado por condições específicas. Por outro lado, no caso de uma superfetação, a jornada se torna mais difícil por três aspectos.

Primeiramente, o espermatozoide encontra barreiras para se movimentar dentro da vagina. Em casos convencionais, a cavidade vaginal está repleta de uma secreção viscosa que ajuda na locomoção do sêmen, entretanto, no caso de uma gestação acontecer junto com outra, as condições são opostas. “Quando o útero já está preenchido por uma gestação, esse muco (da vagina) é mais espesso e funciona quase como um tampão, impedindo que o espermatozoide suba até a tuba uterina”, explica.

Caso o sêmen chegue até lá, em condições normais, não haveria nenhum óvulo para fecundar. “É muito difícil haver uma segunda ovulação numa mulher que acabou de engravidar. O certo é parar de ovular”, afirma Fernandes.

Se a fecundação ocorrer, ainda existe outra barreira: não existem condições adequadas para que o óvulo fecundado se implante na parede do útero. “Na primeira gravidez, o útero se preparou para receber o zigoto e o tecido que o reveste oferece a quantidade de glicose, além de outras substâncias necessárias que permitem o alojamento e a nutrição do embrião”, descreve.

“Passadas duas semanas, como no caso dessa moça, o endométrio não tem mais as características ideais para que o zigoto seja implantado. Então, ela ganhou na loteria”, define.

Fernandes afirma que as complicações de uma superfetação são as mesmas de uma gravidez de gêmeos. “A barriga vai crescer enormemente e a mulher vai ter mais dificuldade para levar essa gestação até o fim. Então, uma das preocupações é ocorrer o parto prematuro”.

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Nessa circunstância, também existe um risco maior de hipertensão na gravidez, conhecida como pré-eclâmpsia – que pode gerar graves complicações e causar a morte da mãe e do bebê. Entretanto, o especialista esclarece que não necessariamente será uma gravidez de risco, tudo depende da saúde da mãe.

Nesses casos raríssimos de duas gestações ao mesmo tempo, a mulher deve repousar e tomar medicações para inibir o parto prematuro, conforme for recomendado pelo médico que a acompanha.

Conheça os métodos disponíveis para evitar uma gravidez indesejada: