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Derrame na pleura afastou vocalista do Sorriso Maroto. Saiba mais

Bruno Cardoso ficará fora dos palcos durante um mês por água na pleura

Bruno Cardoso ficará fora dos palcos durante um mês por água na pleura
Reprodução/Instagram

Na quinta-feira (8), o cantor Bruno Cardoso, de 38 anos, informou que se afastará dos compromissos do grupo de pagode Sorriso Maroto por conta de um derrame pleural. Segundo comunicado divulgado pelo próprio vocalista em seu Instagram, ele passou por um procedimento na sexta-feira (9) e ficará de repouso durante um mês, retomando as atividades em setembro. 

De acordo com o pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, esse problema é diferente da água no pulmão. “Embora estejam em regiões próximas, não são o mesmo problema. Água na pleura é derrame pleural. Água no pulmão é edema pulmonar”, explica o médico.

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A pleura é composta por duas membranas que revestem o pulmão. Ela possui um pequeno espaço entre as membranas e, para que não haja atrito durante a respiração, o vão contém uma pequena quantidade de líquido (cerca de 10 ml a 15 ml). Porém, quando há um acúmulo de líquidos nesse espaço, trata-se de um derrame pleural, podendo armazenar até 3 litros.

Os sinais mais comuns são dor, falta de ar, somados a sintomas de alguma outra doença que estaria causando o derrame na pleura. O acúmulo de água pode ser identificado por meio de um exame físico e uma radiografia, que apontará a presença do líquido, visível a partir dos 300 ml.

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“O derrame pleural ocorre em duas ocasiões: a primeira é um acúmulo sem relação com doença pulmonar, com grande acúmulo de água e diminuição de proteína no sangue, como pacientes com insuficiência renal ou que tenham insuficiência cardíaca. A outra ocasião é quando há problemas pulmonares ou na pleura, que pode ser o resultado de um processo inflamatório, infeccioso ou de câncer”, alega Fiss.

Ele explica que é através da dosagem de proteínas no líquido da membrana pleural que é possível diferenciar se o derrame se dá por um problema externo ou interno do órgão. Para começar o tratamento para o derrame pleural, Fiss afirma que é necessário fazer uma punção do líquido, que é retirado por meio de uma injeção inserida entre as costelas. Por meio dessa coleta, é possível ter uma visualização do líquido, que é mandado para a biópsia para identtificar o quadro.

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O pneumologista afirma que dentro do quadro infeccioso é muito comum que a pneumonia provoque o derrame pleural. A tuberculose também seria uma das grandes causadoras do acúmulo de líquidos em casos infecciosos. Já as causas inflamatórias do acúmulo de líquido estariam relacionadas ao lúpus, reumatismo, artrite reumatoide e à pancreatite.

Ele explica que o o derrame pleural pode, também, causar acúmulo de sangue, em casos de câncer de pulmão com metástase na pleura, câncer de mama, linfomas, e pus em casos de infecção.

“A água na pleura não evolui. O acúmulo de líquidos é por si só uma consequência de evolução de doenças”, explica o médico.

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O tratamento dependerá da causa. Para isso, é necessário realizar uma biópsia da pleura para poder investigar o que fez com que houvesse esse acúmulo de líquidos. Descobrindo o problema primário é possível iniciar o tratamento. Fiss afirma que quando o volume de líquido é grande (de 1L a 3L), quando há pus, sangue ou líquidos linfáticos, é preciso drená-los para resolver o problema.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Bresser

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